segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Amor verdadeiro (Parte 1)








 Mais um ano escolar se inicia, e eu como sempre, serei a mais isolada da turma. Para minha sorte, esse é o ultimo ano desse martírio que é o Ensino Médio. Passei os dois primeiros anos sendo zombada pela turma por nunca ter tido um namorado, e o pior é que isso se espalhou por outras turmas e por conta disso acabei me tornando uma garota fechada. Tenho medo das pessoas. Até que, durante a tradicional apresentação, percebo que há gente nova. E após isso, a garota que entrou na turma, ao ver minha timidez excessiva, resolve se aproximar. Ela é muito atraente, tem cabelos loiros, olhos azuis, é bem branca, traços delicados e certamente deve ter um monte de gente atrás dela, ou pior, deve ser até comprometida. Nunca tive um relacionamento e desejo muito isso, quem sabe assim as piadas a meu respeito param. Mesmo sabendo que poderia ser ainda pior por ser um relacionamento homo. Mas no terceiro ano ninguém mais é criança e pelas coisas que ouvi durante os outros anos, não ficam fazendo piadinhas para humilhar. Assim espero que seja...

A garota senta à minha frente, e por estarmos em carteiras juntas à parede, ela senta de lado para poder conversar.

— Oi, como se chama? – pergunta ela
— Nadia, respondo com certa timidez.
— Heey, não precisa ter medo de mim, não sou badernista. Prazer, sou Ana Luisa, ela responde.
— Você é mesmo daqui de São José dos Campos?, pergunto eu
— Não, não... Sou de Sorocaba, vim pra cá esse ano, e você?
— Sou de Bucareste, Romênia. Vim para o Brasil aos quatro anos de idade.
— Nossa, uma romena! Que legal, juro que você parece brasileira, não tem sotaque.
— Obrigada, respondo.

Não sei o que aconteceu, mas essa garota, além de ser muito bonita, parece ser bem tranqüila. Gostei dela. A primeira semana de aula se passa e percebendo que enfim poderia ter uma amizade, fiquei o tempo todo junto de Ana Luisa. Íamos embora juntas, aproveitamos o tempo bom e ficávamos conversando na sorveteria da esquina, enquanto nos refrescávamos com sorvete. Porém na sexta feira ela não pôde, pois teve que sair mais cedo. Quando eu estava saindo da sala, um grupinho de outra turma me cerca e diz:

— Hey, sua gringa esquisitona! Percebemos que você passou o tempo todo junto da nova aluna, e cá entre nós, ela não é de se jogar fora... Vamos fazer um acordo?
— Qual?, pergunto com receio.
— Se você ficar com a gostosinha, a gente pára de zombar de você e pediremos pras outras turmas pararem também. Você pode não saber, mas eles nos respeitam e se a gente pede, eles atendem. Mas com uma condição: já que você e ela vão sempre à sorveteria da esquina, vocês têm que dar um beijo ali, para que possamos ver e ter certeza do ocorrido. Combinado?
— Se é essa a condição... combinado!

Ninguém tem muita certeza de que gosto de mulheres, mas todos desconfiam, afinal, nunca fui vista com um garoto no colégio ou aqui pelo bairro, e todo o pessoal do bairro estuda aqui, então, se eu ficasse com alguém, todos saberiam... sei que é bastante arriscado isso que aceitei, principalmente pelo fato da Ana Luisa ser muito bonita e certamente ter namorado. Mas vou tentar a sorte, “vai que” né...

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